Cobre e alumínio aceleram enquanto minério de ferro oscila na China

Resumo executivo

Metais não ferrosos seguem em alta consistente, com cobre e alumínio marcando ganhos expressivos no acumulado de 12 meses, enquanto o minério de ferro chinês perde força após tocar máximas de um mês.

O cobre foi cotado a US$ 6,60/lb em 4 de setembro de 2026, alta de 0,30% no dia mas queda de 1,59% no mês, e acumula avanço de 47,57% em 12 meses — um dos movimentos mais fortes do ciclo recente. O alumínio fechou a US$ 3.319,50/t em 3 de setembro, com alta de 0,83% no dia, 3,06% no mês e 28,08% em 12 meses.

Nos EUA e Canadá, os preços de sucata de cobre e alumínio acompanham esse movimento, com a sucata de cobre nos EUA registrando alta recente de aproximadamente US$ 0,25 a US$ 0,30 por libra em um único movimento de mercado.

Já o minério de ferro mostra sinais de acomodação: o contrato global caiu para US$ 97,72/t em 2 de setembro (-1,62% no dia), e os futuros em iuanes na China recuaram para a faixa de CNY 710/t após terem superado CNY 720/t — máxima de um mês — às vésperas do pico sazonal de construção civil chinesa em setembro.

Compradores do Sudeste Asiático seguem sensíveis a preço diante de ofertas de exportação mais altas, o que limita volumes de transação. Um relatório de conferência (MRAI Bangkok, sem data de publicação confirmada) projeta forte crescimento futuro da demanda por sucata ferrosa na região, mas esse dado deve ser lido como contexto histórico e prospectivo, não como condição atual de mercado.

Não ferrosos: cobre e alumínio em alta

Cobre e alumínio consolidam trajetória de alta de longo prazo, com reflexo direto nos preços de sucata na América do Norte.

O cobre está cotado a US$ 6,60/lb em 4 de setembro de 2026, com valorização de 47,57% frente ao mesmo período do ano anterior, ainda que tenha recuado 1,59% no último mês — sinal de que a alta perdeu um pouco de ímpeto de curto prazo sem reverter a tendência estrutural.

A sucata de cobre nos EUA foi cotada em média a US$ 2,02/lb e no Canadá a US$ 2,25/lb em 4 de setembro; separadamente, a sucata de tubo de cobre nº 1 registrou ganho recente de cerca de US$ 0,25 a US$ 0,30 por libra em um único movimento, reforçando esse mercado como o de melhor desempenho relativo entre os metais reciclados no momento (dado sem data-base precisa de publicação, tratado como referência recente).

O alumínio, por sua vez, fechou a US$ 3.319,50/t em 3 de setembro, com alta de 28,08% em 12 meses e 3,06% no último mês. A sucata de alumínio nos EUA foi cotada em média a US$ 1,08/lb e no Canadá a US$ 0,72/lb na mesma data — um spread relevante entre os dois mercados norte-americanos.

Minério de ferro e sucata ferrosa na China

Após bater máxima de um mês, o minério de ferro perde força na China às vésperas do pico sazonal de construção civil.

Os futuros de minério de ferro em iuanes recuaram para próximo de CNY 710/t no início de setembro, depois de terem superado CNY 720/t — máxima de um mês — em movimento ligado às expectativas para o pico sazonal de construção civil chinesa em setembro.

Em paralelo, o contrato de referência acompanhado pela Trading Economics mostrou o minério de ferro em CNY 715/t em 3 de setembro (+0,14% no dia, +2,22% no mês), mas ainda 9,15% abaixo do nível de um ano atrás — evidência de que o patamar de preços em 2026 segue estruturalmente mais baixo que em 2025. No mercado global em dólares, o minério recuou para US$ 97,72/t em 2 de setembro (-1,62% no dia).

Compradores do Sudeste Asiático permanecem sensíveis a preço diante de ofertas de exportação mais altas, o que tem limitado os volumes negociados — um sinal de resistência de demanda que pode pressionar tanto o minério quanto a sucata ferrosa concorrente nos próximos períodos.

Sudeste Asiático: transição siderúrgica e demanda por sucata

Projeções apresentadas em conferência do setor apontam forte expansão da demanda por sucata ferrosa na região, mesmo com avanço da siderurgia baseada em minério de ferro — mas o dado carece de data de publicação confirmada.

Segundo material da MRAI Bangkok divulgado pela Fastmarkets, sem data de publicação identificada, a demanda por sucata ferrosa no Sudeste Asiático deve crescer 50% mesmo com o aumento da capacidade siderúrgica baseada em minério de ferro, que passaria de 5% da capacidade regional em 2011 para 57% em 2026.

Como referência histórica — e não como situação atual —, o relatório cita que as importações de sucata do Vietnã cresceram 32% na comparação anual, para 5,15 milhões de toneladas nos primeiros onze meses de 2025; a Tailândia registrou alta de 59%, para 1,68 milhão de toneladas; e a Indonésia cresceu 26%, para 1,06 milhão de toneladas, no mesmo período.

Esses números, por não terem freshness confirmada, devem ser tratados como pano de fundo estrutural da região, e não como movimento recente de mercado. Combinados ao dado corrente de que compradores do Sudeste Asiático seguem sensíveis a preço diante de ofertas mais altas, sugerem um mercado em transição, com apetite de longo prazo por sucata importada ainda condicionado à disciplina de preços no curto prazo.

O que isso significa para o mercado brasileiro?

A valorização de cobre e alumínio favorece quem exporta ou vende sucata não ferrosa no Brasil, enquanto o recuo do minério de ferro chinês pede cautela na precificação da sucata ferrosa doméstica.

Para processadores e exportadores brasileiros de sucata não ferrosa, o cenário é favorável: com o cobre 47,57% acima do nível de um ano atrás e o alumínio 28,08% acima, o valor de referência internacional para cobre e alumínio reciclados segue em patamar elevado, o que tende a sustentar prêmios de exportação e pressionar para cima os preços pagos na ponta de coleta e processamento no país — ainda que o recuo mensal do cobre (-1,59%) sugira que o ritmo de alta perdeu força de curto prazo e mereça acompanhamento.

Já para a sucata ferrosa, o recuo do minério de ferro na China (para perto de CNY 710/t, ante máxima recente acima de CNY 720/t, e ainda 9,15% abaixo do nível de um ano atrás) é um sinal de possível acomodação de preços de referência para o aço, o que historicamente tende a limitar o espaço de repasse para a sucata ferrosa doméstica no Brasil no curto prazo.

A perspectiva de crescimento estrutural da demanda por sucata ferrosa no Sudeste Asiático — ainda que baseada em dado sem data confirmada — reforça o interesse de médio e longo prazo por mercados asiáticos como destino alternativo de exportação, mas a sensibilidade a preço reportada entre compradores da região indica que operadores brasileiros devem calibrar expectativas e evitar assumir absorção automática de volume a qualquer preço.

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