Cobre recua na China enquanto reciclagem de alumínio ganha escala e o Brasil amplia política mineral
Resumo executivo
A referência chinesa de cobre enfraqueceu, enquanto os EUA tiveram alta pontual e a reciclagem de alumínio ganhou capacidade.
A sucata de cobre continuou em baixa na China em 14 e 15 de setembro, enquanto o índice norte-americano registrou recuperação moderada no dia 16. A divergência reduz a utilidade de uma referência única para negociações de não ferrosos e mantém a praça chinesa como o sinal mais fraco do ciclo.
Na indústria, a EGA ampliou sua presença na reciclagem italiana de alumínio e planeja elevar a capacidade local. No Brasil, a nova política de minerais críticos direciona recursos relevantes à pesquisa, extração e processamento, mas ainda sem efeito físico mensurável sobre materiais reciclados.
Cobre chinês mantém pressão
Duas quedas consecutivas no cobre chinês contrastam com a alta pontual observada na América do Norte.
Em 14 de setembro, as referências chinesas para #1 Copper Bare Bright e para cobre em fios e tubos #1/#2 caíram CNY 1.300/t; no dia seguinte, as mesmas categorias recuaram mais CNY 750/t. O movimento confirma perda de força na praça chinesa, após a correção já coberta no ciclo anterior.
O alumínio teve comportamento menos direcional: depois de baixa de CNY 200/t em diversas categorias no dia 14, extrusões 6063, lingotes, fio elétrico, fundido e chapa velha recuperaram CNY 50/t no dia 15. UBC e Zorba 90% NF haviam caído CNY 100/t, e a sucata ferrosa HMS #1 permaneceu estável nos dois dias.
Para vendedores de cobre, a sequência chinesa enfraquece o poder de sustentação de preço e eleva o risco de reposição comprada antes da correção. A estabilidade ferrosa mostra que a pressão esteve concentrada nos não ferrosos, não em uma retração generalizada da sucata.
Cobre reage nos EUA
As principais sucatas de cobre dos EUA subiram US$ 0,03/lb, sem acompanhamento da sucata ferrosa.
Em 16 de setembro, #1 e #2 Copper Wire and Tubing, #1 Copper Bare Bright e #3 Copper-Light Copper avançaram US$ 0,03/lb no índice norte-americano. Latão e bronze também subiram US$ 0,01/lb em várias categorias, enquanto o alumínio teve alta limitada ao fio elétrico E.C., de US$ 0,01/lb.
A sucata ferrosa não acompanhou: bundle, busheling, HMS, shredded de automóvel e aço estrutural ficaram inalterados. A leitura é de suporte específico aos metais vermelhos, sem evidência de maior apetite das usinas norte-americanas por carga ferrosa.
Para traders e recicladores com exposição exportadora, a alta americana oferece contraponto à China, mas ainda é menor e mais recente que a queda chinesa acumulada. O próximo sinal relevante é saber se compradores físicos nos EUA sustentam novos reajustes.
EGA expande reciclagem italiana
A compra da Eco Green reforça a disputa europeia por sucata de alumínio e adicionará capacidade em 2026.
A Emirates Global Aluminium concluiu a compra de 80% da recicladora italiana Eco Green, que opera duas instalações no nordeste da Itália e distribui mais de 70.000 t/ano de produtos de alumínio. A expansão da unidade de Nogara di Verona deve acrescentar cerca de 20.000 t/ano de capacidade até dezembro de 2026.
Com isso, a capacidade global de reciclagem da EGA superou 400.000 t/ano, com mais 200.000 t/ano em desenvolvimento. O movimento é de verticalização: amplia a capacidade de transformar sucata em produto e tende a fortalecer a demanda regional por alimentação metálica.
Ainda não há cotação que permita medir o efeito sobre prêmios europeus ou exportações. Mas fornecedores de sucata de alumínio devem acompanhar a velocidade de entrada dessa capacidade, pois uma recicladora maior pode reduzir a disponibilidade local para fluxos concorrentes.
Brasil cria política para minerais críticos
A nova política mobiliza até R$ 7 bilhões para ampliar pesquisa, processamento e transformação mineral no país.
Sancionada em 16 de setembro, a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos prevê até R$ 7 bilhões em incentivos para pesquisa, extração, processamento e transformação. O Fundo Garantidor da Atividade Mineral recebeu R$ 2 bilhões iniciais da União, com possibilidade de alcançar R$ 5 bilhões, e a verba do Serviço Geológico do Brasil subirá de R$ 8 milhões para R$ 300 milhões.
A criação de um conselho voltado à industrialização sinaliza que o foco é desenvolver cadeias domésticas de minerais estratégicos, e não apenas ampliar a extração. É uma mudança regulatória material para participantes ligados a insumos de transição energética e materiais tecnológicos.
A lei não informa metas de reciclagem, capacidade industrial contratada nem demanda específica por sucata. Portanto, ainda não há base para afirmar efeito imediato sobre preços ou disponibilidade de metais reciclados.
O que isso significa para o mercado brasileiro?
O cenário exige separar a fraqueza chinesa do cobre da expansão estrutural da capacidade de reciclagem.
Para recicladores e comerciantes brasileiros de cobre, a queda contínua na China recomenda atenção redobrada à reposição e ao prazo de venda, apesar da recuperação pontual dos Estados Unidos. As duas praças apontam sinais opostos, e as evidências não permitem antecipar qual delas prevalecerá no preço físico brasileiro.
No alumínio, a expansão da EGA na Itália merece monitoramento por exportadores e processadores que disputam mercados europeus: maior capacidade pode aumentar a concorrência por sucata regional, embora não haja ainda evidência de alteração de prêmio ou de fluxo para o Brasil. A política nacional de minerais críticos cria perspectiva industrial de longo prazo, mas não muda, por si só, a negociação corrente da sucata.