Coreia do Sul recua do mercado spot de sucata importada
Resumo executivo
Coreia do Sul reduz compras spot de sucata importada e migra para contratos de longo prazo com construção fraca; sinal reforça a retração da demanda importadora asiática de sucata ferrosa já vista na Índia.
Evidência-âncora atual (Fastmarkets, 7 de setembro de 2026): a agência migrou de semanal para mensal sua avaliação de preço da sucata importada na Coreia do Sul, após relatos de participantes sobre queda de liquidez no mercado spot. A maioria das aciarias sul-coreanas passou a comprar por contratos de longo prazo e a demanda por importação desacelerou com a construção civil fraca.
Leitura de mercado: a Coreia do Sul, um dos maiores importadores asiáticos de sucata — sobretudo do Japão e dos EUA —, soma-se à Índia, que cortou 20% das importações no ano fiscal 2026, no movimento de retração da demanda importadora asiática de sucata ferrosa. Corroboram o quadro, embora sem datação confirmada nas evidências: o Japão destinando cerca de ¥1 trilhão (US$ 6,3 bilhões) até 2030 para ampliar a reciclagem doméstica de metais e plásticos, com meta de +2 milhões de t/ano de capacidade de processamento, e o avanço da verticalização do suprimento de sucata por grandes aciarias elétricas dos EUA.
O quarto trimestre asiático segue descrito como misto, dependente de estímulo chinês ainda incerto. Direção — demanda importadora asiática de sucata ferrosa: Baixa. Mercado spot sul-coreano de importação: Baixa.
Coreia do Sul sai do spot de importação
Aciarias sul-coreanas migram para contratos de longo prazo e cortam compras spot de sucata importada; Fastmarkets reduz a frequência da avaliação com liquidez em queda e construção fraca.
Fato reportado (Fastmarkets, evidência atual, 7 de setembro de 2026): a primeira avaliação de preço da sucata importada sul-coreana sob o novo calendário mensal — antes semanal — foi publicada em 8 de setembro de 2026. A mudança de metodologia foi motivada por relatos de participantes sobre redução de liquidez no mercado spot de importação. A maioria das aciarias passou a operar por contratos de longo prazo e a demanda por importação desacelerou diante do setor de construção fraco.
A evidência não traz preços, volumes, grades nem base CFR/FOB deste ciclo.
Leitura de mercado: a Coreia do Sul é destino relevante para sucata japonesa (grades H2) e norte-americana. A migração para contratos de longo prazo e a menor atividade spot estreitam a janela de negócios pontuais e tendem a deslocar oferta japonesa e americana para outros destinos — Vietnã, Taiwan, Bangladesh e Turquia. Combinada com o recuo estrutural da Índia, a retração sul-coreana reduz o conjunto de compradores asiáticos ativos no mercado spot de sucata ferrosa.
Cenário/risco: se a fraqueza da construção sul-coreana persistir, exportadores que dependem de vendas spot para a Coreia enfrentarão concorrência maior por menos compradores. Parte da sucata japonesa excedente já vinha migrando para Bangladesh, conforme ciclos anteriores; ainda não há confirmação de para onde se redireciona o volume antes negociado à vista com a Coreia.
O que isso significa para o mercado brasileiro?
Coreia do Sul e Índia fora do spot empurram sucata japonesa e americana para Vietnã, Bangladesh e sudeste asiático — os destinos que o Brasil disputa; verticalização das aciarias dos EUA pode aliviar a concorrência no médio prazo.
As conclusões partem de uma evidência atual (Coreia do Sul) e de evidências parciais e sem datação confirmada (verticalização nos EUA e investimento japonês em reciclagem); valem como leitura e cenário.
Para quem exporta: a Coreia do Sul nunca foi destino relevante para a sucata brasileira, mas sua saída do mercado spot joga sucata japonesa e americana sobre Vietnã, Bangladesh e sudeste asiático — exatamente os destinos que o Brasil disputa. No curto prazo, isso significa mais concorrência de origens estabelecidas e mais poder de barganha para o importador. Em sentido oposto, os sinais de que grandes aciarias elétricas dos EUA (casos citados de CMC, Nucor e SDI, além da nova aciaria da ArcelorMittal em Calvert, Alabama, e da expansão da Hybar no Arkansas, de US$ 1,1 bilhão) estão comprando ou controlando ativos de sucata perto das usinas apontam para menos sucata americana disponível para exportação no médio prazo, o que aliviaria a pressão competitiva sobre o Brasil. Saldo misto; sem dados de frete Brasil–Ásia, câmbio ou preços CFR neste ciclo para dimensionar a competitividade.
Para quem vende no mercado interno: uma Ásia importadora mais fraca na ferrosa limita o prêmio de exportação e reforça a referência doméstica como piso.
Para quem compra — siderúrgicas e fundições: menos demanda importadora asiática reduz o risco de drenagem de sucata ferrosa para exportação.
Para quem processa: observar se a verticalização de grandes consumidores nos EUA e a maior geração doméstica na Índia sinalizam uma tendência de aciarias capturando coleta e processamento, o que comprimiria, no médio prazo, o espaço do reciclador independente que depende do spread de exportação.
Catalisadores a monitorar: definição do pacote de estímulo da China e seu efeito sobre a demanda de aço; primeira rodada de preços mensais e de contratos de longo prazo na Coreia do Sul; confirmação de cronograma e capacidade das novas aciarias elétricas dos EUA.