Índia atinge sucata ferrosa em mínima de quase 5 anos, exportações dos EUA disparam e China cria estatal de reciclagem

Resumo executivo

Sucata ferrosa recua na Índia e na Ásia, exportações dos EUA disparam em junho e China lança nova estatal de reciclagem.

Diversas evidências deste ciclo, ainda sem confirmação de data de publicação mas com dados internos referenciando meses de 2026, apontam para um quadro de sucata ferrosa fraca na Ásia (Índia, Taiwan e Vietnã) contrastando com forte atividade exportadora de sucata ferrosa dos Estados Unidos em junho de 2026.

Na China, a criação de uma nova estatal de reciclagem em grande escala e o crescimento das importações de sucata de cobre convivem com ceticismo do mercado sobre a efetividade da flexibilização de restrições à importação de sucata não ferrosa. Em paralelo, Estados Unidos, União Europeia e Japão avançam em políticas de retenção doméstica de sucata de alumínio.

Como leitura editorial, o conjunto sugere reorganização de fluxos globais de sucata mais do que uma tendência única de preço, com sinais que ainda carecem de confirmação de frescor e devem ser acompanhados nos próximos ciclos.

Sucata ferrosa na Ásia: Índia em mínima de quase 5 anos, Taiwan e Vietnã amolecem

Preços de sucata ferrosa recuam na Índia, em Taiwan e no Vietnã, com pouco interesse comprador na Ásia.

Segundo reportagem cujo dado de frescor não pôde ser confirmado, o mercado doméstico de sucata ferrosa da Índia caiu ao menor patamar em quase 5 anos. A referência HMS 80:20 recuou entre INR 2.000 e INR 2.500 por tonelada desde agosto de 2025, sendo avaliada agora entre INR 27.000 e INR 31.000 por tonelada, entregue na planta, em praças como Mandi Gobindgarh, Chennai e Jalna.

A demanda fraca por aço e a pressão de liquidez restrita seguem corroendo o apetite comprador, com expectativa — segundo a mesma fonte — de que a fraqueza persista ao longo da estação de monções, até setembro.

Em paralelo, e também sem data de publicação confirmada, ofertas de sucata importada amoleceram em Taiwan, com usinas oferecendo entre US$ 330 e US$ 335 por tonelada cfr Taiwan frente a ofertas dos EUA na faixa de US$ 340 a US$ 345 por tonelada cfr Taiwan.

No Vietnã, ofertas de sucata grau H2 estão entre US$ 360 e US$ 365 por tonelada cfr Vietnã, abaixo do pico de US$ 375 por tonelada cfr Vietnã registrado em meados de janeiro de 2026. O interesse comprador na região é descrito como muito baixo, em meio a preços fracos de vergalhão.

A convergência de dois registros independentes sobre Índia e sobre o eixo Taiwan/Vietnã reforça a leitura de demanda debilitada por sucata ferrosa na Ásia neste ciclo.

Estados Unidos: exportações de sucata ferrosa disparam em junho e sinalizam força para setembro

Exportações de sucata ferrosa dos EUA sobem 11% no mês e 26% no ano; México lidera destinos.

Dado reportado, ainda sem confirmação de data de publicação: as exportações americanas de sucata de ferro e aço somaram 1,30 milhão de toneladas métricas em junho de 2026, alta de 11,0% frente a maio e de 25,9% na comparação anual. O México foi o maior destino, com 303.579 toneladas métricas, salto de 75,2% no mês e de 326,9% no ano.

A Turquia ficou em segundo lugar, com 299.994 toneladas métricas, seguida por Vietnã (146.207 toneladas métricas) e Canadá (78.100 toneladas métricas).

Como complemento — também de frescor não confirmado —, uma perspectiva de mercado para setembro descreve retomada da atividade exportadora e fluxo de material apertado nos Estados Unidos, com sentimento cada vez mais otimista para o comércio de sucata ferrosa americana no mês, sustentado por demanda externa forte.

Tomados em conjunto, os dois registros corroboram um mesmo movimento: reaquecimento das exportações de sucata ferrosa dos EUA a partir de junho, com viés de continuidade no curto prazo — leitura editorial baseada na convergência das duas fontes, não confirmação definitiva de tendência.

China: nova estatal de reciclagem entra em cena; importações de sucata de cobre seguem em alta

Pequim cria estatal de reciclagem em meio a importações de sucata de cobre crescentes e ceticismo sobre abertura ao Ocidente.

Fato reportado, sem data de publicação confirmada: a China Resources Recycling Group Co., Ltd. foi oficialmente constituída em Tianjin como nova estatal central, com capital registrado de 10 bilhões de yuans (aproximadamente US$ 1,4 bilhão). Entre os acionistas estão Sinopec, China Baowu, Minmetals, China Resources Group e Chalco.

As subsidiárias da nova estatal devem atuar em reciclagem de sucata de aço, lixo eletrônico, baterias de veículos elétricos, equipamentos eólicos e solares, metais não ferrosos e plástico — um movimento de consolidação estatal em toda a cadeia de reciclagem chinesa.

Em paralelo, dados das alfândegas chinesas mostram que o país importou 210.900 toneladas métricas de sucata de cobre e sucata de cobre triturada em junho de 2026, alta de 10,43% no mês e de 15,11% no ano; o acumulado de janeiro a junho de 2026 chegou a 1,2415 milhão de toneladas métricas, alta de 8,39% na comparação anual.

Ainda assim, apesar da flexibilização chinesa de restrições à importação de sucata de cobre e alumínio a partir de meados de novembro, importadores relatam ceticismo: segundo a mesma reportagem, o material de fim de vida útil dos EUA, da UE e do Reino Unido ainda não estaria limpo o suficiente para importação direta, levando importadores a processá-lo no Sudeste Asiático antes de enviá-lo à China, inclusive na forma de lingotes de alumínio secundário.

Como leitura editorial da fonte, e não como dado quantitativo confirmado, o mercado global de sucata de cobre estaria entrando em um período de aperto estrutural, à medida que tensões geopolíticas e política industrial remodelam os fluxos comerciais.

Não ferrosos: retenção de sucata de alumínio ganha força nos EUA, UE e Japão

EUA, UE e Japão avançam em políticas para reter sucata de alumínio dentro de suas fronteiras.

Segundo análise cuja data de publicação não foi confirmada, as principais economias estão reforçando esforços para reter sucata de alumínio em seus próprios territórios. A União Europeia segue avaliando controles à exportação — decisão que, conforme cobertura anterior, estava marcada para ser definida em setembro de 2026.

Como fato novo neste ciclo, os Estados Unidos estariam avaliando uma proposta para tratar a sucata de alumínio como ativo estratégico, e o Japão introduziu um Plano de Ação de Economia Circular para 2026 com meta de investimento de ¥1 trilhão até 2030, buscando elevar a produtividade de recursos, aumentar taxas de reciclagem e reduzir a dependência de matérias-primas importadas.

Não há, nas evidências disponíveis, detalhamento sobre prazos de implementação ou volumes de sucata efetivamente retidos por essas medidas — trata-se de sinalização de política industrial, ainda em estágio de proposta ou plano, e não de restrição já em vigor.

O que isso significa para o mercado brasileiro?

Fraqueza asiática pressiona referências de sucata ferrosa; retenção de alumínio no exterior pode valorizar sucata brasileira limpa.

Nenhuma das evidências deste ciclo traz dado direto sobre o Brasil, o que exige cautela nas conclusões. Ainda assim, alguns encadeamentos são razoáveis como cenário, não como fato confirmado.

A fraqueza simultânea da sucata ferrosa na Índia, em Taiwan e no Vietnã tende a pressionar para baixo as referências internacionais de sucata ferrosa asiática, o que pode reduzir o poder de precificação de eventuais exportações brasileiras do insumo para a região — ainda que o Brasil não figure entre os destinos citados nas exportações americanas em alta.

Por outro lado, o reaquecimento das exportações de sucata ferrosa dos EUA para México, Turquia, Vietnã e Canadá reforça que a demanda por sucata ferrosa segue existindo em polos específicos fora da Ásia, um sinal a monitorar para eventuais oportunidades de arbitragem geográfica.

No lado dos não ferrosos, o avanço de políticas de retenção de sucata de alumínio nos Estados Unidos, na União Europeia e no Japão, somado à criação de uma nova estatal chinesa de reciclagem e ao crescimento das importações chinesas de sucata de cobre, aponta para uma disputa crescente por materiais reciclados de qualidade em nível global.

Como cenário, isso pode valorizar sucata não ferrosa brasileira bem segregada e limpa — sobretudo cobre e alumínio — para compradores que buscam alternativas fora dos mercados que estão restringindo saídas, embora nenhuma evidência deste ciclo confirme fluxo comercial efetivo entre o Brasil e esses mercados.

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