Mercados de metais divergem entre sucata fraca, gargalos de oferta e novos projetos
Sucata de aço recua na China
Demanda fraca por inox e negócios lentos acompanham a nova queda, sem magnitude informada.
A SMM reportou nova redução nos preços da sucata de aço, com consumo a jusante de aço inoxidável ainda fraco e atividade comercial lenta. A publicação não informa o tamanho do recuo, o que impede dimensionar a pressão sobre as cotações.
Para compradores e vendedores, o sinal é de baixa liquidez e menor sustentação da demanda no mercado observado. O relato não permite concluir que a mesma direção se aplique a todas as praças ou categorias de sucata chinesas.
Vergalhão chinês segue sem tração
A operação de usinas EAF subiu na semana, mas as transações de aço para construção continuaram fracas.
Na China, a maioria das cotações à vista de vergalhão ficou estável pela manhã, mas algumas recuaram 10 yuan/mt à tarde; as negociações foram descritas como fracas. Ao mesmo tempo, a taxa operacional de 50 usinas de forno elétrico a arco que produzem aço para construção chegou a 37,5%, alta de 2,0% na comparação semanal.
O avanço da operação pode sustentar o consumo de metálicas, mas ainda não se traduziu em melhora clara nas vendas de aço. Para fornecedores de sucata, o ritmo das usinas merece acompanhamento junto com a recuperação das transações de vergalhão.
Alumínio chinês cai, sucata fica estável
A queda dos futuros não se refletiu nas cotações de sucata, cuja liquidez segue limitada por restrições de faturas.
O contrato mais negociado de alumínio na SHFE fechou em 23.120 yuan/mt, queda de 225 yuan/mt frente ao ajuste anterior. Já as cotações de sucata permaneceram inalteradas em Foshan, Hunan, Hubei e Anhui. A SMM relata que os pátios retomaram as operações em meados de outubro e elevaram um pouco a liberação de material.
A oferta de faturas apertada e as limitações associadas às políticas de reciclagem continuam restringindo a liquidez. Assim, a baixa dos futuros ainda não representa, por si só, um recuo nas referências físicas de sucata; compradores e vendedores devem observar se o aumento de material nos pátios altera esse equilíbrio.
Estoques de cobre se concentram nos EUA
O volume armazenado amplia a relevância de acompanhar a movimentação dos estoques, sem comprovar oferta imediata ao mercado.
Analistas estimam que cerca de 1,1 milhão de toneladas de cobre estejam armazenadas nos Estados Unidos. Os estoques registrados da CME superaram 711 mil toneladas, ante aproximadamente 88.595 toneladas em fevereiro de 2025.
O dado descreve cobre estocado, não sucata disponível para venda, e não confirma que esse material será liberado. Para participantes do mercado físico, a movimentação dos estoques e sua disponibilidade efetiva são sinais a acompanhar antes de concluir que há alívio de oferta.
Atrasos russos apertam oferta de billet na Turquia
Congestionamento portuário leva uma usina turca a alocar billet doméstico para cobrir temporariamente a falta de oferta.
O congestionamento em portos do Báltico, onde embarques de grãos têm prioridade, levou grandes fornecedores russos a adiar entregas até janeiro. Para cobrir temporariamente a falta, uma grande usina integrada na região de Karabuk abriu pedidos e alocou pelo menos 100.000 toneladas de billet a US$ 565–570/tonelada EXW.
Os preços reportados foram de US$ 520/tonelada CFR para billet importado e US$ 570/tonelada EXW no mercado doméstico; são bases comerciais distintas e não devem ser comparadas diretamente. O episódio mostra que atrasos logísticos estão redirecionando a compra para oferta local, com efeito imediato sobre a disponibilidade de billet na Turquia.
EUA abrem consulta sobre o CBAM europeu
A revisão da USTR inclui possíveis impactos da expansão do mecanismo a produtos intensivos em aço e alumínio.
A representante comercial dos Estados Unidos (USTR) abriu consulta pública para avaliar os impactos atuais e potenciais do mecanismo de ajuste de carbono na fronteira da União Europeia (CBAM) sobre produtores, trabalhadores, exportações e comércio entre os dois mercados. A análise também abrange uma proposta de ampliar o mecanismo a outros produtos intensivos em aço e alumínio.
A consulta não altera as regras em vigor. Para exportadores e fornecedores ligados às cadeias de aço e alumínio, o processo é um sinal para acompanhar a possível ampliação das exigências; ainda não há decisão que confirme mudança nos fluxos comerciais.
Usina californiana prevê reciclar 500 mil toneladas
O investimento total do projeto da Pacific Steel Group foi revisto para aproximadamente US$ 800 milhões.
Mark Olson, vice-presidente de operações de usina da Pacific Steel Group, informou em outubro que o investimento total no projeto californiano havia crescido para aproximadamente US$ 800 milhões. A usina é apresentada como projeto para reciclar 500.000 toneladas de sucata, mas a evidência não detalha o cronograma de entrada em operação.
A nova unidade representa demanda potencial por sucata na Califórnia quando começar a operar. Sem prazo de partida ou especificação do ritmo de consumo, ainda não é possível estimar quando essa demanda afetará a disputa regional pelo material.
Filipinas planejam unidade de processamento de cobre
A Materials Nova prevê iniciar operações em janeiro de 2027, sem divulgar a capacidade da instalação.
A Materials Nova Global Phils. planeja investir PHP 100 milhões em uma instalação de processamento de cobre e recuperação de materiais na zona econômica Suntrust Ecotown Tanza, em Cavite. O início das operações está previsto para janeiro de 2027; o acordo com a autoridade filipina de zonas econômicas foi formalizado em 21 de setembro de 2026.
A unidade pode criar um novo canal regional de processamento de materiais de cobre, mas não foi informada capacidade nem origem da matéria-prima. Portanto, ainda não há base para quantificar a demanda por sucata ou o efeito sobre a disponibilidade local.