Mercados se dividem: preços recuam nos EUA, enquanto custos e capacidade redesenham a oferta
Resumo executivo
Quedas de não ferrosos nos EUA contrastam com gargalos logísticos, incerteza regulatória e novos investimentos em reciclagem.
O índice norte-americano registrou novas baixas em não ferrosos, enquanto as grades ferrosas ficaram estáveis na sessão seguinte às perdas. Na Europa e na Ásia, restrições no transporte pelo Reno afetam os fluxos e ampliam prazos de entrega; na Ucrânia, a indústria pede que limites à exportação de sucata continuem em 2027.
No Reino Unido, a Enva anunciou expansão de capacidade de reciclagem, e a CSN Mineração reduziu sua projeção para 2026 ao citar custos de frete. São sinais distintos: pressão imediata sobre preços e logística, de um lado, e mudanças de capacidade ou de política comercial, de outro.
Não ferrosos recuam novamente nos EUA
Cobre e outras sucatas não ferrosas caíram em 29 de setembro; os ferrosos ficaram estáveis após perdas no dia anterior.
Os preços de compra norte-americanos de não ferrosos voltaram a cair em 29 de setembro. As principais categorias de sucata de cobre perderam US$ 0,14 por libra ante a sessão anterior, depois de recuo de US$ 0,13 por libra em 28 de setembro. Alumínio e latão também cederam; nas grades de inox acompanhadas, as baixas variaram de US$ 0,01 a US$ 0,03 por libra.
Já as grades ferrosas acompanhadas ficaram estáveis em 29 de setembro, após o #1 HMS cair US$ 20 por tonelada métrica e o shredded, US$ 15 por tonelada métrica, no dia anterior. Para vendedores de não ferrosos, a sequência reduz as referências de compra; a estabilidade ferrosa interrompeu, por ora, novas perdas no índice, sem indicar recuperação.
Baixo nível do Reno atrasa fluxos
Interrupções no transporte europeu alongam prazos e levam compradores asiáticos a considerar volumes maiores.
O comitê de fornecedores de matérias-primas da IREPAS relatou em 29 de setembro que o baixo nível do Reno interrompia o transporte de sucata e aço e adiava negócios. O grupo também apontou aumento da demanda por material europeu e disse que compradores na Índia e no Paquistão passaram a considerar volumes maiores e entregas mais longas.
A mudança amplia a importância de planejar reposição com antecedência, mas não significa que as compras adicionais já tenham sido fechadas. Segundo o comitê, frete e financiamento mais caros continuam limitando as operações, podendo reduzir a vantagem de buscar material europeu.
Ucrânia pode manter restrição à sucata
Entidades empresariais pedem a continuidade da quota zero de exportação em 2027, mas a decisão ainda cabe ao governo.
Em 29 de setembro, a European Business Association solicitou que a Ucrânia mantenha no próximo ano a quota zero para exportações de sucata, vigente desde 1º de janeiro de 2026. Como alternativa, caso a restrição seja suspensa, empresas associadas propuseram uma tarifa de €180 por tonelada para todos os destinos.
O pedido não altera a regra atual nem confirma sua extensão. Para consumidores europeus, a continuidade da quota limitaria a saída de sucata ucraniana; para exportadores, a eventual adoção da tarifa mudaria o custo de acesso a outros mercados. O próximo sinal é a decisão oficial sobre 2027.
Enva amplia reciclagem de refrigeradores
Investimento de £9,5 milhões elevará a capacidade britânica da empresa a mais de 2,3 milhões de aparelhos por ano.
A Enva anunciou investimento de £9,5 milhões (EUR 11 milhões) para ampliar sua capacidade anual de reciclagem de refrigeradores no Reino Unido a mais de 2,3 milhões de aparelhos, ou mais de 100 mil toneladas. A nova linha de Grantham acrescentará cerca de 8 mil toneladas anuais quando estiver plenamente operacional, em fevereiro de 2028.
A unidade de Dartford, prevista para fevereiro de 2027, foi projetada para processar aproximadamente 35 mil toneladas anuais de resíduos eletroeletrônicos e refrigeradores. A expansão aumenta a capacidade de tratamento e recuperação de materiais no país; a fonte não detalha quais metais nem os volumes recuperados por categoria.
Frete reduz plano da CSN Mineração
Custos logísticos mais altos levaram a empresa a cortar sua projeção de produção e compras de minério para 2026.
A CSN Mineração reduziu de 45 milhões a 47 milhões para 39 milhões a 41 milhões de toneladas sua projeção de produção e compras de minério de terceiros em 2026. A empresa também anunciou redução temporária da produção de minério de baixa qualidade na planta de beneficiamento a seco do complexo de Pires, em Ouro Preto (MG).
A projeção do custo caixa C1 subiu de US$ 22 a US$ 23,50 para US$ 25 a US$ 26 por tonelada, com a alta do frete como motivo reportado. A menor projeção de compras afeta diretamente fornecedores terceirizados de minério; o anúncio, por si só, não demonstra efeito sobre a demanda brasileira por sucata.
O que isso significa para o mercado brasileiro?
O efeito local mais concreto está na cadeia de minério e logística da CSN; não há sinal direto sobre preços de sucata.
Fornecedores de minério de terceiros devem considerar a projeção menor de compras da CSN Mineração ao avaliar oportunidades de venda, enquanto transportadores acompanham a pressão de custos que motivou o ajuste. Para compradores e vendedores de sucata no Brasil, as evidências deste ciclo não confirmam mudança de preço ou demanda; as quedas norte-americanas servem como referência externa, não como cotação equivalente ao mercado local.