Oferta física aperta no alumínio chinês enquanto custos logísticos sobem no Brasil
Resumo executivo
A sucata de alumínio ganhou suporte físico na China, enquanto o frete terrestre brasileiro absorve nova pressão de custos.
Na China, a queda das referências de alumínio não eliminou a sustentação da sucata: a circulação ficou mais restrita após auditorias fiscais atingirem depósitos, limitando a disponibilidade para fundições de liga. Em paralelo, o comércio marítimo de inox cresceu no primeiro semestre, puxado sobretudo por China e Itália, apesar da menor compra indiana.
No Brasil, a recuperação do transporte ocorre com diesel, lubrificantes e pedágios mais caros. Para a cadeia de sucata, isso eleva a importância da distância entre pátio, fornecedor e consumidor na formação do preço líquido.
Alumínio chinês aperta fisicamente
A oferta circulante de sucata de alumínio encolheu na China mesmo com recuo das referências metálicas.
O contrato mais negociado de liga de alumínio 2611 fechou em 23.550 yuan/t em 22 de setembro, baixa de 0,44%, e o alumínio A00 havia recuado para 24.320 yuan/t no dia anterior. Ainda assim, a SMM reportou menor circulação de sucata depois que auditorias fiscais afetaram depósitos, dando suporte ao lado de matéria-prima das fundições.
A divergência importa porque compradores de sucata não recebem automaticamente o alívio indicado pelo metal primário: a escassez física pode preservar bids por material processável e apertar a reposição. As ofertas de ADC12 importado permaneceram em US$ 3.100–3.200/t, sinal de que o mercado de liga secundária ainda não precificou uma folga clara de insumo.
Inox redireciona fluxos
O comércio marítimo de sucata inoxidável cresceu 17% no semestre, com China e Itália absorvendo mais material.
O fluxo global alcançou 2,72 milhões de toneladas no primeiro semestre de 2026, ante 2,33 milhões de toneladas um ano antes, enquanto a produção mundial de aço inoxidável avançou 5%, para 32,96 milhões de toneladas. A expansão da movimentação física foi mais intensa que a da produção, indicando maior necessidade de circulação internacional de carga reciclada.
A China elevou suas importações em 87%, para cerca de 101.254 toneladas, e a Itália em 46%, para cerca de 0,23 milhão de toneladas. A Índia foi na direção oposta, com queda de 6%, para aproximadamente 0,67 milhão de toneladas; a sucata inox 304 importada teve média de US$ 1.410–1.450/t. Para fornecedores, a demanda asiática não deve ser tratada como bloco único: os destinos que ganharam participação podem disputar material antes direcionado ao mercado indiano.
Frete terrestre ganha peso
A alta acumulada de diesel e insumos rodoviários pressiona a margem da coleta e da entrega de sucata no Brasil.
O transporte cresceu 1,1% entre abril e junho, depois de dois trimestres de queda, e o segmento terrestre acumulou expansão de 1,2% até julho. A retomada, porém, vem com diesel 13,35% mais caro no acumulado de 2026, óleo lubrificante em alta de 12,06% e pedágio 4,25% maior; a queda de 0,80% do diesel em agosto não compensou esse avanço no ano.
Para pátios e recicladores, a consequência é pressão direta sobre o custo por tonelada coletada ou entregue, especialmente em rotas longas e cargas de menor densidade. Compradores industriais tendem a enfrentar pedidos de reajuste de frete ou descontos menores na origem, mesmo onde o preço da sucata permaneça estável.
O que isso significa para o mercado brasileiro?
A negociação brasileira passa a depender mais da logística local e da disponibilidade de não ferrosos do que de uma direção única de preços.
Quem processa alumínio deve acompanhar a restrição física chinesa como sinal de reposição mais disputada, mas sem equipará-la a uma alta universal de preço: as referências metálicas locais ainda recuaram. Para exportadores de inox, o crescimento das compras chinesas e italianas amplia a relevância de monitorar destino, qualidade e custo marítimo, diante da perda de ritmo indiana.
No mercado doméstico, o custo rodoviário mais alto tende a favorecer operações com raio de coleta controlado e material de maior valor por carga. Em negociações entre pátio e consumidor, frete deixa de ser um item acessório e passa a definir o preço líquido efetivo.