Oferta física perde força no Brasil e na Índia, enquanto sucata dos EUA sustenta exportação
Resumo executivo
A sucata ferrosa perdeu tração física no Brasil e na Índia, mas a exportação norte-americana avançou.
No Brasil, estoques altos nas usinas e atrasos de pagamento reduziram fortemente os volumes, mesmo com referências domésticas e de exportação informadas em 25 de setembro. Na Índia, a recuperação diária não compensou a queda semanal, mantendo compradores cautelosos.
Nos não ferrosos, o latão indiano recuou apesar da alta do cobre na LME, pois consumidores postergaram compras. Na Europa, a paralisação da ArcelorMittal Kryvyi Rih adiciona uma interrupção relevante de capacidade siderúrgica ucraniana, ainda sem efeito mensurável sobre a sucata.
Brasil reduz volumes
Estoques elevados nas usinas e atrasos de pagamento deixaram os volumes brasileiros cerca de 40% abaixo do nível anterior.
Em 25 de setembro, o HMS 80:20 doméstico permaneceu em BRL 800/t FOT, a sucata de aço limpa em BRL 900/t e os cavacos em BRL 700/t. Para exportação, o HMS 80:20 foi indicado a US$ 300–305/t FOB e o shredded a US$ 325–330/t FOB.
O ponto material não é uma nova alta de preço, mas a retração da atividade física. Com as usinas carregadas de estoque e pagamentos atrasados limitando negócios, fornecedores e processadores enfrentam menor giro; para exportadores, a referência FOB segue existindo, mas sem evidência de que esteja absorvendo o volume doméstico perdido.
EUA elevam referência FOB
HMS e shredded de exportação dos EUA subiram US$ 4/t, sustentando a origem concorrente no mercado marítimo.
As referências norte-americanas avançaram para US$ 365/t FOB no HMS e US$ 385/t FOB no shredded. No mercado doméstico do Midwest, o busheling permaneceu em US$ 465–475/t DAP, isto é, entregue ao destino.
A alta nas duas categorias exportadas reforça o custo de reposição de cargas norte-americanas para compradores marítimos. Para o Brasil, o movimento aumenta a concorrência por negócios de exportação, mas as bases FOB e as qualidades não permitem equiparar esses números diretamente às indicações brasileiras.
Índia recupera no dia, mas cai na semana
A alta diária em Mandi Gobindgarh não reverteu a perda semanal da sucata ferrosa indiana.
O end-cutting em Mandi Gobindgarh subiu INR 500/t em 25 de setembro, para INR 41.600/t DAP, mas continuava INR 1.350/t abaixo da semana anterior; outras qualidades recuaram INR 1.450–1.500/t no período. Em Alang, o HMS 80:20 caiu INR 200/t no dia, para INR 36.300/t ex-yard.
A divergência entre praças mostra uma tentativa localizada de ajuste, não uma retomada homogênea da demanda. A sucata importada em Nhava Sheva foi avaliada em US$ 368–369/t com frete, enquanto shredded europeu era indicado a US$ 410/t CFR; o diferencial de base e qualidade exige cautela, mas a referência europeia mais alta limita a substituição por material importado.
Latão recua com compradores ausentes
A sucata de latão indiana caiu na semana mesmo com o cobre LME avançando.
Na semana encerrada em 25 de setembro, as avaliações de sucata de latão recuaram para INR 930.000/t exw em Jamnagar, INR 935.000/t em Delhi e INR 928.000/t em Ahmedabad. O cobre LME a três meses, porém, fechou em US$ 14.640/t em 24 de setembro, acima de US$ 14.515/t em 18 de setembro.
A queda física foi atribuída ao adiamento de compras, sinal de que o metal de referência mais caro não foi suficiente para sustentar a procura imediata por sucata. Ofertas norte-americanas à Índia subiram para cerca de 64% do LME, ante 62%, elevando o custo relativo de reposição e reduzindo margem para compradores que já estão postergando lotes.
Kryvyi Rih permanece parada
A ArcelorMittal não prevê retomar a produção em sua usina de Kryvyi Rih após novos ataques.
A empresa informou em 25 de setembro que quatro ataques em cinco semanas causaram danos extensos à unidade no sudeste da Ucrânia e impediram a retomada da produção. A siderurgia responde por 15% das exportações ucranianas, o que torna a interrupção relevante para a capacidade industrial do país.
Ainda não há evidência nesta atualização sobre duração da parada, impacto em compras de sucata, produção de aço ou fluxos de exportação. O mercado deve acompanhar esses dados antes de concluir que haverá redirecionamento de material na Europa.
O que isso significa para o mercado brasileiro?
O mercado brasileiro enfrenta giro menor, enquanto a referência norte-americana torna a competição exportadora mais exigente.
Para sucateiros e processadores, o sinal imediato é de menor poder de negociação com usinas estocadas e atividade travada por atrasos de pagamento, não de reprecificação generalizada. A prioridade comercial é medir a liquidez efetiva dos lotes e o ritmo de reposição das usinas.
Para exportadores, a alta FOB dos EUA melhora a sustentação externa, mas também fortalece uma origem concorrente. As indicações brasileiras permanecem abaixo das referências norte-americanas em bases e qualidades distintas; o que definirá oportunidade é a capacidade de converter essa diferença em negócios, não apenas a cotação publicada.