Quedas nos EUA contrastam com novos projetos e incerteza nas rotas de sucata

Resumo executivo

O mercado combina novas quedas nos não ferrosos norte-americanos com sinais mistos na sucata ferrosa e mudanças futuras na demanda e no comércio.

Nos EUA, cobre e algumas categorias de alumínio e latão recuaram novamente, enquanto as grades ferrosas listadas ficaram estáveis. Na China, a sucata HMS teve leve baixa e a recomposição de estoques esperada antes do feriado não ocorreu.

Na Ásia e no Oriente Médio, novos projetos siderúrgicos podem ampliar a procura por sucata, embora sem impacto imediato quantificado. Em paralelo, recicladores indianos contestam uma proposta europeia que poderia restringir exportações de resíduos metálicos para a Índia a partir de maio de 2027.

Cobre aprofunda queda nos EUA

O cobre recuou mais forte nos EUA, enquanto alumínio e latão também perderam valor no índice.

Em 1º de outubro, as principais categorias de sucata de cobre caíram US$ 0,06/lb no índice norte-americano, após recuo de US$ 0,02/lb no dia 30 de setembro. A queda mais recente também atingiu alumínio 5052 e fio de alumínio E.C., ambos em US$ 0,02/lb, e latões vermelho e amarelo, em US$ 0,01/lb.

As grades ferrosas e de inox listadas ficaram estáveis em 1º de outubro. Para compradores e vendedores de não ferrosos, a sequência de baixas enfraquece as referências de reposição; os dados não confirmam, por si só, negócios físicos nem efeito direto sobre preços no Brasil.

China não recompõe estoques antes do feriado

A sucata HMS chinesa cedeu levemente, e a compra pré-feriado esperada não se confirmou.

Em 30 de setembro, a média doméstica da sucata HMS na China ficou em RMB 2.119/mt (US$ 314,6/mt), base ex-warehouse e com IVA de 3%, queda de RMB 1/mt ante 23 de setembro. A variação foi pequena, mas a recomposição de estoques esperada antes do feriado nacional, de 1º a 7 de outubro, não ocorreu.

O dado aponta compras menos fortes do que se esperava no mercado doméstico chinês, sem indicar mudança nas importações. Vendedores e processadores devem acompanhar se a demanda retorna após o feriado; a evidência não sustenta uma tendência de baixa mais ampla.

Índia contesta possível restrição europeia

Recicladores indianos pedem intervenção contra uma proposta da UE que pode limitar exportações de resíduos metálicos.

Em comunicado de 30 de setembro, a associação indiana de recicladores pediu ao governo que intervenha diante da proposta europeia de restringir exportações de resíduos metálicos à Índia a partir de maio de 2027. Também solicitou tarifa zero para importações de sucata no acordo comercial proposto entre Índia e União Europeia.

A associação planeja apresentar pedido formal em 15 de outubro, mas a lista europeia de países autorizados ainda não está definida. Para comerciantes e processadores ligados à rota, o risco é de maior incerteza sobre a disponibilidade futura de material; a restrição ainda não está confirmada.

Nippon Steel contrata segundo forno elétrico

Um segundo forno na planta japonesa de Hirohata reforça a perspectiva de consumo de sucata para aços especiais.

A Tenova informou ter contratado o fornecimento de um segundo forno elétrico Consteel para a planta Hirohata da Nippon Steel, em Himeji. O equipamento terá capacidade de 110 mt por corrida e produzirá aços especiais, com pré-aquecimento contínuo da sucata e automação.

O anúncio indica expansão da rota elétrica na unidade e acrescenta potencial demanda por sucata, mas não informa investimento nem data de início. Sem esses dados, não é possível dimensionar quando ou quanto a nova instalação alterará as compras da usina.

Abu Dhabi planeja complexo siderúrgico

Projeto nos Emirados prevê uso flexível de sucata e espera iniciar importações do material em 2027.

A Green Metals Industries planeja investir cerca de US$ 250 milhões na primeira fase de um complexo de aço e tubos em KEZAD, Abu Dhabi. A capacidade prevista é de 1,2 milhão a 1,4 milhão mt/ano, com comissionamento em etapas a partir de 2028; fornos de indução e elétricos poderão usar sucata, ferro reduzido direto e ferro briquetado a quente.

A empresa pretende priorizar metálicos domésticos, mas espera que os Emirados comecem a importar sucata no início de 2027. Se o plano avançar, poderá abrir um destino adicional para fornecedores regionais e exportadores; ainda não há compras confirmadas nem volume de importação informado.

O que isso significa para o mercado brasileiro?

O plano dos Emirados amplia uma possibilidade futura de destino, mas não sinaliza mudança imediata nas exportações brasileiras.

Exportadores brasileiros podem acompanhar a formação de demanda nos Emirados a partir de 2027, sem tratar o anúncio como negócio fechado: a empresa ainda prevê priorizar o abastecimento doméstico e não informou volumes de compra externa. No curto prazo, as quedas norte-americanas servem como sinal de mercado para não ferrosos, mas não há evidência de repasse direto aos preços brasileiros.

A evolução da proposta europeia também merece monitoramento por quem negocia resíduos metálicos com a Índia. Até a definição das regras e dos países autorizados, o impacto sobre fluxos e preços permanece incerto.

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