Sucata ferrosa ganha apoio físico enquanto o cobre vira entre praças
Resumo executivo
A oferta mais curta sustenta a sucata ferrosa na Europa, Turquia e Índia, enquanto o cobre reage de forma desigual entre China e América do Norte.
A sucata marítima voltou a encontrar suporte nas compras turcas para outubro, e a alta europeia confirma que a disponibilidade física está mais apertada. No Brasil, porém, as referências domésticas e de exportação permanecem estáveis, sem sinal de repasse automático.
Nos não ferrosos, o cobre avançou na América do Norte e recuperou parte do terreno na China, mas a resistência dos consumidores chineses limita a leitura de uma retomada física consolidada. Na Índia, a expansão planejada da Gravita adiciona uma nova frente de demanda estrutural por cobre reciclado.
Turquia sustenta sucata marítima
Compras para outubro mantêm o HMS 80:20 americano em US$ 398-400/t CFR Turquia.
As usinas turcas continuaram no mercado de cargas marítimas para embarque em outubro. Negócios de HMS I/II 80:20 dos Estados Unidos foram reportados a US$ 398-400/t CFR Turquia, base que inclui frete até o porto turco; a avaliação FOB East Coast ficou em US$ 361/t.
A procura coincide com alta semanal de 4,57% na referência HMS I/II 80:20 CFR Turquia, enquanto os preços locais de compra das usinas também subiram de forma relevante desde 28 de agosto. O sinal é de sustentação física, não apenas de indicação de preço.
Para exportadores, a Turquia volta a dar piso à sucata marítima. O acompanhamento decisivo é se novas compras preservam esse patamar quando as usinas fecharem a cobertura de outubro.
Europa aperta; Brasil não acompanha
A escassez elevou o HMS europeu, mas as referências brasileiras seguem sem mudança.
No Benelux, o HMS 80:20 dockside subiu para cerca de €280/t DAP, ante €271-275/t na semana anterior. Em Rotterdam, a mesma qualidade avançou US$ 11/t na semana, para US$ 354/t FOB. As evidências atribuem o movimento à menor disponibilidade de material.
A praça brasileira não mostrou a mesma reação: HMS ficou em cerca de R$ 800/t FOT, sucata de aço limpa em R$ 900/t e turnings em R$ 700/t FOT. As referências de exportação também permaneceram em US$ 290/t FOB para HMS e US$ 310/t FOB para shredded.
A divergência preserva a folga entre o aperto europeu e o mercado brasileiro. Para quem processa e vende no país, a alta externa é um sinal a monitorar, mas ainda não altera o poder de negociação local nem cria evidência de maior competição exportadora.
Cobre recupera, mas China resiste
A recuperação da referência chinesa elevou a sucata, sem destravar a compra de fios e cabos.
Na China, os futuros de cobre fecharam em 109.500 yuan/t em 18 de setembro, alta diária de 1.130 yuan/t, e a matéria-prima de cobre secundário avançou 800 yuan/t. O diferencial entre cátodo e sucata aumentou 315 yuan/t, para 2.936 yuan/t, ampliando a distância econômica entre os dois insumos.
O movimento, porém, não se traduziu em apetite pleno: compradores de fios e cabos mostraram baixa disposição para adquirir matéria-prima mais cara. O sentimento dos vendedores melhorou, enquanto o dos compradores caiu, sugerindo oferta mais firme diante de demanda final cautelosa.
Na América do Norte, as principais categorias de cobre limpo subiram US$ 0,12/lb entre 11 e 17 de setembro. Para recicladores, a valorização melhora a referência de venda, mas a resistência chinesa recomenda atenção à velocidade de reposição e à confirmação de consumo físico.
Índia amplia reciclagem de cobre
A Gravita planeja levar sua capacidade de reciclagem de cobre a cerca de 60 mil t/ano em três anos.
A Gravita India adquiriu a Rashtriya Metal Industries e iniciou sua operação de reciclagem de cobre com capacidade de 31.200 t/ano, utilizada em cerca de 50% no primeiro trimestre do ano fiscal de 2027. A empresa pretende superar 60% de utilização até o fim do ano.
Uma unidade de 29.400 t/ano deve iniciar operação em Gujarat nos próximos 12 meses. Com as duas frentes, a companhia projeta aproximadamente 60.000 t/ano de capacidade em três anos.
A expansão aumenta gradualmente a disputa indiana por alimentação de cobre reciclado, inclusive material processado. Ainda não há evidência de impacto em preços ou fluxos de importação, mas exportadores brasileiros para a Ásia devem acompanhar a entrada efetiva da nova capacidade.
O que isso significa para o mercado brasileiro?
O suporte externo à sucata ferrosa ainda não mudou o preço brasileiro, enquanto o cobre exige negociação mais seletiva.
A manutenção das cotações brasileiras de sucata ferrosa, inclusive na exportação, indica que a recuperação turca e o aperto europeu ainda não foram suficientes para deslocar o mercado local. Vendedores podem usar a melhora externa como referência de acompanhamento, mas compradores domésticos não enfrentam, pelos dados disponíveis, uma nova pressão de reposição.
No cobre, a alta norte-americana e a recuperação chinesa favorecem a referência de venda, mas a procura cautelosa de fios e cabos na China reduz a segurança de repassar integralmente o movimento. Para exportadores, a nova capacidade indiana merece atenção como fonte futura de concorrência por carga e não como alteração imediata de fluxo.