Sucata ferrosa recua no Japão, zinco dispara e EUA avaliam restringir exportação de cobre
Resumo executivo
Japão reduz sucata ferrosa exportada, zinco atinge nova alta anual e Washington avalia restringir exportação de sucata de cobre.
Três desenvolvimentos concretos se somam ao quadro de metais reciclados nos últimos dias.
No Japão, o preço de exportação da sucata pesada grau 2 caiu pela sétima semana consecutiva, recuando US$ 14 na semana para US$ 320/tonelada FOB, após uma queda acumulada de US$ 38 em agosto — movimento associado à valorização do iene, que encarece a sucata japonesa para compradores estrangeiros, e ao aumento das ofertas de siderúrgicas domésticas para reter material no mercado interno.
No complexo de metais não ferrosos, o zinco foi cotado a US$ 3.914,52/t em 4 de setembro de 2026, alta de 0,58% no dia, 4,97% no mês e 36,70% em 12 meses — a maior valorização anual entre os metais monitorados neste ciclo, superando cobre e alumínio. Já o chumbo mostrou sinal misto: US$ 1.915,13/t em 4 de setembro, com alta de 0,52% no dia e 1,26% no mês, mas ainda 3,57% abaixo do nível de setembro de 2025.
Nos Estados Unidos, o governo Trump emitiu uma proclamação autorizando o Secretário de Comércio a usar poderes da Defense Production Act para apoiar a indústria doméstica de cobre, com possibilidade de teto para exportação de sucata de cobre de alta qualidade e um sistema de licenciamento específico — medida ainda em estágio de autorização, sem escopo definido.
Na Índia, a Fastmarkets anunciou o lançamento de seis avaliações de preço CIF Índia para sucata de alumínio, refletindo demanda crescente, num momento em que compradores indianos relatam oferta apertada vinda de Europa, Reino Unido e EUA, agravada por restrições à exportação de matéria-prima secundária nos Emirados Árabes e na Arábia Saudita.
Na Europa, a decisão sobre restrições à exportação de sucata de alumínio segue adiada para setembro de 2026 — prazo que está prestes a vencer.
Sucata ferrosa na Ásia: Japão em baixa, Sul da Ásia misto
Preço de exportação da sucata pesada japonesa cai pela sétima semana seguida; reciclagem naval no Sul da Ásia mostra sinais mistos.
A sucata pesada grau 2 exportada pelo Japão recuou pela sétima semana consecutiva, caindo US$ 14 na semana para US$ 320/tonelada FOB, após queda acumulada de US$ 38 em agosto.
A valorização do iene tem encarecido a sucata japonesa para compradores estrangeiros, enquanto siderúrgicas domésticas elevam suas ofertas de compra para reter material e alimentar a produção interna, reduzindo a oferta disponível para exportação mesmo com preços em queda — um sinal de que a retração de preço não significa necessariamente mais volume disponível no mercado externo.
No Sul da Ásia, o mercado de reciclagem naval segue com dinâmica mista: o Paquistão mantém-se saudável mesmo após uma correção que sucedeu forte alta recente, enquanto Bangladesh mostra leve enfraquecimento local, com preços de embarcações praticamente estáveis mas interesse de compra menos firme do que antes.
Uma matéria parcial e sem data confirmada indica ainda que os preços de sucata de aço em Bangladesh vêm recuando apesar dos custos de frete elevados — informação que deve ser tratada como indicativa, não confirmada, mas coerente com o enfraquecimento relatado no segmento de reciclagem naval do país.
Não ferrosos: Índia acelera, zinco dispara e EUA miram exportação de cobre
Zinco atinge nova alta anual, Índia ganha benchmarks próprios de alumínio e Washington estuda restringir sucata de cobre.
O zinco foi cotado a US$ 3.914,52/t em 4 de setembro de 2026, com alta de 0,58% no dia, 4,97% no mês e 36,70% em 12 meses — a maior valorização anual entre os metais acompanhados neste ciclo, ampliando o quadro de força do complexo não ferroso já sustentado por cobre e alumínio.
O chumbo, por sua vez, subiu 0,52% no dia e 1,26% no mês, para US$ 1.915,13/t, mas segue 3,57% abaixo do nível de setembro de 2025 — um lembrete de que nem todos os metais reciclados avançam no mesmo ritmo.
O alumínio negociado como referência de sucata caiu 0,81% em 4 de setembro, para US$ 3.292,65/t, ainda 26,34% acima de setembro de 2025; os estoques de alumínio na LME estão próximos de mínima de 36 anos e os estoques na SHFE recuaram 3% na semana, reforçando a leitura de oferta apertada por trás da alta anual.
Na Índia, o mercado de sucata não ferrosa tem se beneficiado de crescimento consistente, segundo reportagem sem data de publicação confirmada; de forma mais concreta, a Fastmarkets anunciou o lançamento de seis avaliações de preço CIF Índia para sucata de alumínio, citando demanda em alta — um sinal de que a Índia está ganhando infraestrutura própria de precificação à medida que se firma como grande compradora.
Compradores indianos relatam demanda forte e oferta apertada de sucata de alumínio vinda de Europa, Reino Unido e Estados Unidos, agravada por restrições à exportação de matéria-prima secundária nos Emirados Árabes Unidos e na Arábia Saudita, o que levanta dúvidas sobre disponibilidade futura de material para o mercado indiano.
Nos Estados Unidos, o governo Trump emitiu proclamação autorizando o Secretário de Comércio a usar poderes da Defense Production Act para apoiar a indústria doméstica de cobre; a medida poderia incluir um teto para exportação de sucata de cobre de alta qualidade e um sistema de licenciamento específico, já recomendado pelo Departamento de Comércio — trata-se ainda de uma autorização, sem regras finais definidas, mas que sinaliza intenção clara de reter sucata de cobre de alta qualidade em território americano.
Europa: decisão sobre exportação de sucata de alumínio se aproxima
Bruxelas adiou para setembro de 2026 a decisão sobre restrições à exportação de sucata de alumínio — prazo que está prestes a vencer.
Segundo matéria sem data de publicação confirmada, a União Europeia adiou para setembro de 2026 sua decisão sobre eventuais restrições à exportação de sucata de alumínio, num esforço de equilibrar regras de comércio com metas de economia circular do bloco.
Como o prazo relatado coincide com o mês corrente, trata-se de um ponto de atenção regulatória iminente: o desfecho dessa decisão deve sinalizar o quão disposto o bloco europeu está a agir concretamente em nome da economia circular, com potencial de alterar o volume de sucata de alumínio disponível para exportação a partir da Europa.
O que isso significa para o mercado brasileiro?
Não ferrosos seguem favoráveis à exportação brasileira; sucata ferrosa e fluxo global de cobre pedem atenção a decisões regulatórias.
O avanço do zinco (+36,70% em 12 meses) somado à força já conhecida de cobre e alumínio reforça o incentivo para que processadores e exportadores brasileiros de sucata não ferrosa priorizem esses fluxos no atual ciclo de preços internacionais elevados.
A oferta apertada de sucata de alumínio relatada por compradores indianos — agravada por restrições de exportação no Golfo — e o lançamento de novos benchmarks CIF Índia pela Fastmarkets sugerem uma janela de oportunidade para exportadores brasileiros de alumínio reciclado ampliarem presença nesse mercado, à medida que a Índia ganha transparência de preços e busca fontes alternativas às europeias, britânicas e americanas.
Do lado ferroso, a queda persistente do preço de exportação da sucata japonesa, combinada à retenção doméstica de material pelas siderúrgicas do país, indica que o Japão pode seguir concorrendo com menos volume disponível no mercado externo — um fator a monitorar para operadores brasileiros que mirem compradores asiáticos, já que preço mais baixo não implica necessariamente mais oferta concorrente.
Já a possível restrição dos Estados Unidos à exportação de sucata de cobre de alta qualidade, ainda em estágio de autorização e sem escopo definido, é um ponto de atenção de médio prazo: caso avance, poderia redirecionar fluxos globais de sucata de cobre e alterar a disponibilidade e os preços de referência internacionais — cenário que exportadores brasileiros de cobre reciclado devem acompanhar antes de reprecificar contratos.
Por fim, a decisão da União Europeia sobre restrições à exportação de sucata de alumínio, esperada para este mês, é outro gatilho regulatório a observar: um endurecimento das regras europeias tende a reduzir a oferta global disponível e pode sustentar ainda mais a demanda por sucata de alumínio de origem brasileira em mercados importadores.