Sucata recua em EUA e Índia, enquanto exportações de aço avançam e cobre mira déficit estrutural

Sucata recua na América do Norte

Cobre e alumínio perderam valor na semana de 9 a 15 de outubro, aumentando a pressão sobre vendedores da região.

As principais categorias de sucata de cobre caíram US$ 0,02 por libra no período, enquanto a sucata de alumínio recuou quase 2,19%. O movimento indica menor valor de referência para quem vende esses materiais na região.

A queda simultânea nos dois metais reforça a necessidade de acompanhar as cotações semanais antes de fechar lotes. Os dados não informam se o recuo alterou o volume de compras ou a disponibilidade física.

HMS cai na Índia com demanda fraca

A lentidão nas negociações de aço acompanhou a queda da sucata pesada em Mandi.

Em 16 de outubro, a sucata HMS 1&2 80:20 — mistura de material pesado — caiu INR 100 por tonelada, para INR 37.700/t, entregue em Mandi. Os preços domésticos do aço permaneceram em geral estáveis ou menores, com negociações lentas e demanda limitada.

Para compradores de sucata, o sinal é de menor sustentação nas cotações locais enquanto a venda de aço não ganha ritmo. A evidência não indica mudança nos volumes de compra das usinas.

Exportações brasileiras de vergalhão avançam

A retomada das vendas ao Peru contribuiu para a alta dos embarques em setembro.

O Brasil exportou 23 mil toneladas métricas de vergalhão em setembro, ante 9,4 mil em agosto, segundo dados da Secex. Os embarques ao Peru somaram 11,4 mil toneladas, a US$ 572 por tonelada FOB — preço na saída do porto.

O aumento mostra maior colocação de aço brasileiro na América do Sul naquele mês. Para exportadores, a retomada peruana amplia a relevância dos canais regionais, mas os dados de um mês não confirmam continuidade do avanço.

Falta de bitolas sustenta piso do vergalhão chinês

A escassez localizada de algumas especificações contrasta com o tom fraco dos preços na semana.

A SMM relatou falta de determinadas especificações em Henan, Fujian e Shandong. Embora os preços do vergalhão tenham se consolidado em tom fraco na semana, essa escassez manteve relativamente firmes as cotações no limite inferior.

Para compradores de aço, a disponibilidade pode variar conforme a especificação e a região; a fraqueza geral do mercado não significa oferta uniforme. O relato não estabelece efeito direto sobre os preços de sucata.

BHP prevê déficit estrutural de cobre

A projeção aponta para uma necessidade crescente de oferta a partir de 2028, sem antecipar o efeito sobre preços.

Em Londres, a CFO da BHP afirmou que o mercado global de cobre provavelmente entrará em déficit estrutural por volta de 2028. Segundo a executiva, serão necessárias mais 8 milhões a 10 milhões de toneladas até meados da próxima década para atender à demanda crescente.

É uma projeção de longo prazo, não uma indicação de escassez imediata. Para recicladores e comerciantes, ela reforça a importância de acompanhar como a oferta secundária poderá contribuir para atender a demanda, sem comprovar impacto atual nas cotações de sucata.

Projeto siderúrgico de Iowa avança, mas segue condicionado

A escolha da tecnologia de redução direta é um passo do projeto, que ainda depende de financiamento e licenças.

Em 13 de outubro, a Mesabi Metallics selecionou a Midrex Technologies para a etapa de redução direta do complexo siderúrgico proposto para Iowa, nos Estados Unidos. O investimento previsto é de US$ 15 bilhões.

O projeto ainda depende de financiamento, aquisição de terras, licenças de construção e acordo final de incentivos estaduais. Portanto, a escolha tecnológica não representa capacidade nova já disponível nem permite estimar, com os dados divulgados, efeito imediato sobre a demanda regional por sucata.

O que isso significa para o mercado brasileiro?

A expansão das vendas externas de aço dá um sinal comercial concreto, mas ainda restrito a um mês.

Para produtores e exportadores brasileiros, a retomada de embarques ao Peru mostra que os mercados sul-americanos podem absorver volumes adicionais. O ponto a acompanhar é se esse canal se mantém nos próximos meses; os dados disponíveis não sustentam uma conclusão sobre mudanças na demanda ou no preço da sucata no Brasil.

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