Turquia mantém tração na sucata ferrosa, enquanto cobre vira para alta nos EUA
Resumo executivo
Novas compras turcas mantêm firme o mercado marítimo de sucata, enquanto o cobre físico norte-americano reverte a baixa recente.
A Turquia seguiu no mercado para embarques de outubro, com negócios reportados em alta e estoques baixos sustentando a procura. O movimento preserva a tração da referência marítima de sucata ferrosa, mesmo depois da alta já observada no início do mês.
Nos Estados Unidos, o cobre físico avançou US$ 0,17/lb nas principais categorias no índice de 8 de setembro, revertendo a correção registrada na atualização anterior. Alumínio e ligas também melhoraram, mas a sucata ferrosa doméstica permaneceu estável.
Turquia segue comprando
Compras para outubro e estoques baixos mantêm a sucata importada em alta nas usinas turcas.
As siderúrgicas turcas continuaram fechando compras de sucata marítima para embarque em outubro. O índice diário de HMS I/II 80:20 — sucata pesada mista — CFR Turquia, base entregue no porto, acumulou alta semanal de 2,18%; a referência semanal subiu 1,95%.
Negócios recentes foram reportados em cerca de US$ 382/t para HMS 80:20 europeu em Marmara e US$ 390/t para material norte-americano em İskenderun. As referências não são equivalentes por origem e praça, mas ambas confirmam disposição compradora acima dos níveis anteriores.
Estoques baixos e menor disponibilidade de tarugo, placa e ferro-gusa russos reduzem alternativas à sucata para as usinas. O sinal a acompanhar é a continuidade das compras: se elas persistirem, fornecedores terão argumento para sustentar ofertas mais firmes no mercado marítimo.
Cobre vira para alta nos EUA
Principais categorias de cobre sobem US$ 0,17/lb; ferrosos permanecem sem mudança no índice.
No índice norte-americano de 8 de setembro, as principais categorias de cobre — fio e tubo #1 e #2, Bare Bright e cobre leve #3 — avançaram US$ 0,17/lb. Radiador de cobre subiu US$ 0,08/lb, enquanto latões 70/30, 80/20 e 85/15 ganharam US$ 0,04/lb.
O alumínio acompanhou em menor intensidade: fio de alumínio E.C. subiu US$ 0,03/lb e várias outras categorias ganharam US$ 0,02/lb. A amplitude da alta contrasta com a queda de cobre reportada no briefing anterior e sugere melhora rápida na remuneração do material não ferroso físico.
A mudança não se estendeu aos ferrosos: bundle, busheling, HMS e HMS 80/20 ficaram inalterados. Para processadores, o ganho está concentrado em cobre e, em menor grau, alumínio e ligas; não há nesta evidência sinal de reajuste da sucata ferrosa doméstica.
O que isso significa para o mercado brasileiro?
A firmeza turca melhora o piso de negociação da sucata ferrosa exportável, enquanto cobre ganha suporte próprio no mercado físico.
Para exportadores brasileiros de sucata ferrosa, a permanência das usinas turcas nas compras reforça a referência internacional e reduz o risco de uma correção imediata nas ofertas marítimas. O efeito local dependerá de frete, câmbio, qualidade disponível e da disputa das usinas domésticas, fatores que estas evidências não quantificam.
Em não ferrosos, a reversão do cobre nos EUA devolve poder de negociação a quem origina e processa cobre no Brasil, mas não autoriza aplicar automaticamente a mesma alta ao mercado local. Acompanhar a sustentação do índice norte-americano e a resposta dos compradores domésticos será mais relevante que transferir integralmente o ajuste externo para preços brasileiros.