Turquia sustenta a sucata marítima, mas a demanda asiática perde fôlego

Resumo executivo

A referência turca firme contrasta com a compra seletiva na Índia e com a cautela chinesa no cobre.

A sucata ferrosa marítima encontrou sustentação na Turquia, mas a demanda não se espalhou pela Ásia: a Índia reduziu sua referência doméstica e manteve interesse limitado por importação, enquanto Paquistão também freou novas compras. Isso limita o alcance comercial de uma referência turca em torno de US$ 400/t CFR.

No cobre, a alta da bolsa chinesa elevou a matéria-prima secundária, sem destravar a reposição de estoques. Em paralelo, uma proposta europeia pode restringir, a partir de 2027, a rota de sucata ferrosa e não ferrosa da UE para a Índia, mercado importador relevante.

Índia perde fôlego; Turquia segura

A firmeza do HMS na Turquia não impediu a retração da sucata e da compra importada no Sul da Ásia.

Em 21 de setembro, o HMS 80:20 chegou a US$ 400/t CFR Turquia, com indicação negociável de material americano entre US$ 398 e US$ 403/t CFR. A praça turca segue como suporte para a sucata marítima, mas a evidência disponível não mostra que esse patamar tenha reativado a demanda regional de forma ampla.

Na Índia, o índice de end-cutting em Mandi Gobindgarh caiu INR 300/t no dia, para INR 42.100/t DAP, sob demanda fraca de aço e liquidez afetada por verificações de GST. HMS 80:20 importado foi ofertado a US$ 350-360/t CFR, com interesse comprador limitado; no Paquistão, mudanças tributárias também restringiram novas compras de triturada. Para exportadores, a Turquia continua a balizar preço, mas o escoamento asiático exige cautela sobre volume e prazo de reposição.

Cobre sobe, mas compra continua seletiva

A alta do cobre na China valorizou a sucata, sem eliminar a resistência dos compradores acima de 110 mil yuans por tonelada.

Os futuros chineses fecharam a 109.960 yuans/t, alta diária de 460 yuans/t, e a matéria-prima de cobre secundário avançou 300 yuans/t. O diferencial entre cátodo e sucata ficou em 3.141 yuans/t, sinalizando uma referência física também mais cara para recicladores e fundições.

Mesmo com necessidade de recompor estoques antes do feriado, empresas de cobre secundário compraram com cautela depois que o metal superou 110.000 yuans/t. Para vendedores de sucata de cobre, a referência mais alta melhora a sustentação das ofertas; para processadores, o sinal a acompanhar é se a reposição pré-feriado converte-se em volume, pois a alta de preço ainda não se traduziu em compra agressiva.

Europa ameaça mudar a rota para a Índia

Proposta da Comissão Europeia pode restringir a sucata europeia destinada à Índia a partir de maio de 2027.

A Comissão Europeia propôs deixar a Índia fora da lista inicial de países não membros da OCDE aptos a receber certos resíduos não perigosos. Se a regra for adotada, exportações europeias de sucata ferrosa e não ferrosa para o país poderão ser restringidas a partir de 21 de maio de 2027; a proposta ainda não é final.

O risco é relevante porque a Índia importou cerca de 8 milhões de toneladas de sucata ferrosa no FY2025-26. Uma limitação a uma origem tradicional elevaria a disputa indiana por outras cargas e poderia redirecionar material europeu para destinos autorizados. Não há efeito físico imediato, mas compradores, traders e exportadores devem tratar a definição regulatória como variável futura de disponibilidade e concorrência por origem.

O que isso significa para o mercado brasileiro?

O exterior oferece suporte desigual: preço marítimo firme, demanda asiática seletiva e risco regulatório ainda distante.

Para exportadores brasileiros de ferrosa, a Turquia preserva uma referência internacional firme, mas a queda doméstica indiana e a compra limitada no Sul da Ásia reduzem a segurança de contar com esses destinos para absorver volumes adicionais. A qualidade, a base comercial e o frete continuam decisivos para transformar a referência turca em alternativa real.

Em cobre, a valorização chinesa sustenta a negociação da sucata, mas a cautela das fábricas recomenda atenção ao ritmo de reposição, não apenas à cotação. A possível restrição europeia à Índia não altera fluxos brasileiros agora; se aprovada, porém, poderá reorganizar a concorrência por cargas ferrosas e não ferrosas no horizonte de 2027.

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