Turquia sustenta ferrosos, enquanto cobre e fluxos europeus ganham novos vetores
Resumo executivo
A firmeza turca contrasta com a retração compradora na Índia, enquanto cobre e regras europeias acrescentam risco ao mercado físico.
A sucata ferrosa marítima preservou sustentação acima de US$ 400/t CFR Turquia, com as usinas elevando também as compras locais para assegurar volume. Na Ásia do Sul, Bangladesh segue seletivamente ativo, mas a demanda enfraqueceu na Índia e no Paquistão.
Nos não ferrosos, o cobre físico avançou na América do Norte e recuou na China, ao mesmo tempo em que a suspensão da Escondida introduz risco de oferta primária. Na Europa, a proposta de restringir destinos fora da OCDE agora dimensiona um potencial redirecionamento relevante de sucata.
Turquia sustenta o marítimo
Usinas turcas elevaram as compras locais, mantendo a referência importada acima de US$ 400/t CFR.
O HMS 80:20 importado foi avaliado perto de US$ 404/t CFR Turquia em 24 de setembro, enquanto três a quatro usinas de Marmara haviam elevado seus preços domésticos em TRY 300-600/t dois dias antes. O índice diário HMS I/II 80:20 CFR Turquia avançou 1,4% desde o relatório de 18 de setembro.
O movimento aponta busca por tonelagem, não apenas ajuste cambial: as usinas estão defendendo a reposição local mesmo com frete marítimo pelo menos US$ 10/t mais alto nas duas semanas anteriores. Para exportadores, a Turquia continua sendo a praça que sustenta o piso da sucata ferrosa profunda; o próximo sinal é se essa demanda se transforma em novos fechamentos de importação.
Ásia do Sul divide a demanda
Bangladesh compra cargas competitivas, mas siderúrgicas indianas recuam diante de aço fraco e maior oferta física.
Em Bangladesh, foram fechadas 3.000 t de PNS malaio a US$ 410-412/t e lotes filipinos de PNS/HMS a US$ 376-383/t CFR Chattogram. A preferência por origens asiáticas mostra compra seletiva, embora o mercado importado permaneça firme.
Na Índia, o índice de end-cutting em Mandi Gobindgarh caiu INR 400/t no dia 24, para INR 41.100/t DAP, porque as usinas restringiram compras diante da demanda fraca por aço acabado e de maiores chegadas de sucata. A divergência reduz a capacidade de a Índia acompanhar a sustentação turca: vendedores de conteinerizado encontram Bangladesh ativo, mas não uma alta regional uniforme.
Cobre diverge entre China e EUA
A valorização norte-americana da sucata de cobre contrasta com recuo dos índices chineses em 24 de setembro.
Na América do Norte, os principais graus limpos de cobre subiram 13-14 centavos de dólar por libra entre 18 e 24 de setembro. Já na China, bare bright, fio e tubo de cobre #1 e fio e tubo #2 caíram CNY 300/t no índice de 24 de setembro; o cobre isolado de 85% de recuperação recuou CNY 150/t.
A divergência impede tratar o cobre secundário como um mercado de direção única. A suspensão integral das operações da Escondida, no Chile, em 23 de setembro — mina para a qual a BHP estimava até 1,28 milhão de toneladas de produção em 2026 — adiciona um risco potencial à oferta primária, mas ainda não há prazo de retomada nem evidência de repasse imediato à sucata física.
Europa delimita destinos
A proposta europeia pode retirar até 4,1 milhões de toneladas anuais de sucata de aço dos mercados fora da OCDE.
A Comissão Europeia incluiu, em lista preliminar, restrições a remessas de resíduos não perigosos para destinos não OCDE e deixou Índia, Malásia e Tailândia fora dos receptores habilitados para sucata ferrosa e não ferrosa. A consulta pública permanece aberta até 16 de outubro; a regra, se adotada, passaria a valer em 21 de maio de 2027.
A estimativa da Comissão é de redução anual de 4-4,1 milhões t de exportações de sucata de aço, equivalentes a 25%-26% do fluxo, e de 970.600 t de sucata de alumínio, ou 76%. Ainda não há alteração física nos embarques, mas exportadores asiáticos e compradores europeus passam a operar sob risco concreto de redirecionamento de oferta e pressão sobre preços regionais.